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O Cantil, a revelação.
Em sua primeira incursão fora do Ceará, a peça cearense O Cantil chamou a atenção. Ela vem sendo apontada como uma das revelações do I Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia.
Amanda Queirós - Jornal O Povo
28.Outubro.2008
A concorrência não era das mais fáceis. Em uma sala, o afamado encenador inglês Peter Brook apresentava um de seus sempre prestigiados trabalhos. Na outra, a tradicional Cia dos Atores (RJ) punha o público para rir com o espetáculo de abertura do I Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (Fiac-BA), ocorrida na última sexta-feira. No mesmo horário, o desconhecido Teatro Máquina se preparava para apresentar a peça O Cantil. Era a primeira vez que ela seria mostrada fora do Ceará. Diante de todo esse contexto, a recepção não poderia ter sido melhor. Ingressos esgotados e aplausos demorados demarcaram o sucesso da montagem.

O Cantil traz uma leitura particular sobre a clássica peça A Exceção e a Regra, de Bertolt Brecht. Nela, uma dupla de atores venda os olhos e se deixa manipular em suas ações assim como bonecos. A peça - totalmente sem falas - se vale desse artifício para reforçar a idéia de opressão que marca a relação sempre tensa entre um patrão e seu empregado durante uma estafante jornada. A plasticidade da cena e o trabalho corporal dos atores chamou a atenção do público baiano.

Durante um debate ocorrido no dia seguinte à primeira apresentação, a platéia mostrou-se impressionada com a entrega e o desprendimento dos atores que se deixavam serem manipulados. Outro elemento destacado na cena foi o estranhamento provocado no espectador acostumado ao teatro narrativo convencional.

"Já li esse texto várias vezes e acho que a estrutura cênica ganhou muito. Essa estrutura de manipulação foi bem inovadora e foge ao teatro padrão", comenta a atriz Flávia Galdência, 32 anos, logo após a segunda apresentação da peça, no sábado. Já a médica Marta Campos, 32, diz ter se decepcionado um pouco com a constante repetição trabalhada pelo grupo durante os pouco mais de 40 minutos do espetáculo. "O visual é bonito, mas me cansou". Já a professora Mariana Prates, 31, saiu satisfeita. "Não conhecia o texto, mas gostei bastante. Achei bem diferente. Era interessante ver como os movimentos eram expressivos mesmo sem podermos ver os olhos dos atores", completa.

Estreado em julho, O Cantil é um dos espetáculos mais novos presentes da programação do Fiac-BA. Ele vem sendo apontado pelos organizadores como uma das boas surpresas reveladas pelo evento. Boa parte das 23 atrações agendadas para os oito dias de duração é composta por grupos e peças já tarimbados no Sul e Sudeste ou no eixo internacional. A proposta do festival é justamente sanar o déficit de grandes apresentações cênicas na região Nordeste. Diante de uma platéia de atores, críticos e curadores de festivais ansiosos por novidades, participar dessa primeira edição torna-se um cartão de visita sem igual para o grupo cearense.

"Viajar é importante para a gente se entender um pouco mais e repensar como a gente quer trabalhar", afirma Fran Teixeira, diretora do Teatro Máquina. Embalado pela boa repercussão, o grupo se prepara para tocar uma temporada inteira fora de casa. A peça foi contemplada pelo edital de ocupação do Centro Cultural São Paulo, que prevê 18 encenações entre novembro e dezembro. O grupo viaja logo após concluir a atual temporada no Centro Dragão do Mar. As últimas apresentações acontecem amanhã e sexta-feira.

A repórter viajou a convite da organização do evento.
link para a para a notícia original: http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/831369.html
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