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A exceção e as regras.

Inspirado na obra de Bertolt Brecht, Teatro Máquina segue em cartaz com a peça “O Cantil”.

Magela Lima - Diário do Nordeste
12.Junho.2008
Alemão, tal Brecht (1898-1956), o filósofo Walter Benjamin (1892-1940) é o grande interlocutor da diretora Fran Teixeira em sua nova criação. Em “O Cantil”, cartaz das sextas-feiras de junho no Teatro do Centro Dragão do Mar, ela ressiginifica um dos textos mais conhecidos do repertório do chamado Teatro Épico, abrindo mão da materialidade oral da dramaturgia, como estratégica para uma composição cênica mais calcada no gesto.

“Benjamin é categórico. Para ele, o Teatro Épico é gestual”, explica Fran Teixeira. Pesquisadora do repertório brechtiano, autora de “Prazer e crítica: o conceito de diversão no teatro de Bertolt Brecht” (2003), a diretora afirma que a intensidade do gesto pode aguçar uma dimensão reflexiva sobre as questões sociais mais expressiva que o fluxo discursivo do texto falado ou escrito. Daí, a releitura que o grupo Teatro Máquina faz de “A exceção e a regra” (uma das peças didáticas deixadas por Brecht) romper com uma vertente de encenação mais tradicional, em nome de uma construção essencialmente física.

Manipulação X dominação

Fortemente influenciado pela cultura oriental, embora preso a temáticas e situações de um Ocidente preso às regras do capitalismo, Brecht, de certa forma, deixou implícita uma das matrizes estéticas de “O Cantil”. No enredo simples — em que um empregado se subjuga a seu patrão até o ápice, quando morre (melhor: é assassinado) por oferecê-lo sua própria reserva de água em plena aridez do deserto — Fran Teixeira reproduz poeticamente a técnica do teatro bunraku, tradicional arte de animação de bonecos japonesa.

“O bunraku explicita essa relação binária de dominação que está presente no texto original. Há claramente uma relação de dependência em que um não existe sem o outro, nem o manipulador, nem o boneco”, argumenta a diretora. Impactante (sobretudo pela afinação da trilha sonora com a iluminação”, “O Cantil” revela um Brecht para além dele próprio.
link para a para a notícia original: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=545437
contato@teatromaquina.com